"-... esse sujeito de quem estou falando trabalhava como domador de cavalos (...) parecia ter sido feito por encomenda para domar os potros; mas a verdade é que ele tinha outro ofício: o de 'provocador'. Era provocador de sonhos. Isso é que ele era realmente." Pedro Páramo, Juan Rulfo.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

James Brown


A morte de James Brown me fez lembrar da minha infância nos anos 70. Naquela época era comum os vizinhos tocarem black e disco music, uma mistura das modas black power (que aqui no Brasil não teve a conotação política do movimento nos EUA) e discoteque. Ouvi muito James Brown, Marvin Gaye, Stevie Wonder e Ray Charles nas tardes de sábado e domingo enquanto brincava pelo quintal ou mesmo quando estava em casa. O som era alto e, muitas vezes, algumas canções eram tocadas, em velhas vitrolas, à exaustão.
James Brown já era uma referência. Canções como "I got you (I fell good)" e ""Get Up (I Feel Like Being A Sex Machine)" já eram hinos da irreverência e "Say it loud - I'm black and I'm proud" (tradução: "Diga alto: sou negro e tenho orgulho disto") era a senha para que a cultura negra se assumisse como tal.
Mas a lembrança mais marcante que tenho do Pai do Soul é a do filme "The Blues Brothers" (que aqui no Brasil ficou "Os irmãos cara-de-pau") no qual ele interpreta um pastor durante um culto. A cena* é engraçada e, ao mesmo tempo, didática sobre a origem da soul music que nasceu das canções gospel nos EUA. Quem conhece a história não se surpreendeu ao ver, pela televisão, no seu velório sua banda cantando sobre seu caixão aberto. Nada mais justo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Também tenho muitas lembranças de minha infância embaladas pelas canções de James Brown.
Muito bom o texto. Parabéns

Bruno Aguiar Santos disse...

Decididamente, o pai do Soul, se hoje e ontem Michael Jackson fazia sucesso com dança, ele fez mais, e ele deu inspiração e seguimento ao Michael Jacson e a outros que fazem sucesso pela dança e pela música "exótica". Get up, I fell good, são duas de várias canções prediletas minha.

Um abraço, texto perfeito