"-... esse sujeito de quem estou falando trabalhava como domador de cavalos (...) parecia ter sido feito por encomenda para domar os potros; mas a verdade é que ele tinha outro ofício: o de 'provocador'. Era provocador de sonhos. Isso é que ele era realmente." Pedro Páramo, Juan Rulfo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O caso Moshê

História de Vida – O caso Moshê
January 15, 2008 ·

Por Zev Roth *

Em Jerusalém

Em agosto de 2001, Moshê (nome fictício), um bem sucedido empresário judeu-americano, viajou para Israel a negócios.

Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George, centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa – mas ele não dispunha tanto tempo.

Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.

Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.


Homem-bomba

Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s…

Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila.

Certamente ele ainda estava na pizzaria.

Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.

Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, dos quais seis eram crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada.

Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma.

Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda.

Um dispositivo explosivo adicional montado pelos terroristas já estava sendo desmontado pelo exército.

Moshê procurou seu “salvador” entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.

Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.

Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.

O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.

Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.

Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.

Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.


Em Nova Iorque

Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.

Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito “Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila.”

Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.


Salvo pela segunda vez

Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo – e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001. Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center Twin Towers.




* Zev Roth, escritor e pesquisador de histórias de vida da comunidade judaica em todo o mundo, vive atualmente em Israel.




Notas

1. Matéria publicada originalmente pela Targum Press, em 2002.

2. Conteúdo relatado em palestra pelo Rabino Issocher Frand.

3. Publicado com a permissão do Monsey, Kriyat Sêfer, and Beyond”

domingo, 29 de março de 2009

Treinamento da Plena Consciência II


Segundo Treinamento
Consciente do sofrimento causado pela exploração, pela injustiça social, pelo roubo e pela opressão, eu me comprometo a cultivar a bondade amorosa e a aprender maneiras de trabalhar pelo bem estar das pessoas, animais plantas e minerais. Praticarei a generosidade, compartilhando meu tempo, minha energia e meus recursos materiais com aqueles que realmente precisam. Estou determinado a não roubar e a não me apossar de nada que pertença, porventura, a outros. Respeitarei a propriedade alheia, mas impedirei que outros lucrem com o sofrimento humano ou com o sofrimento de outras espécies sobre a terra.

Thich Nhat Hanh

sábado, 28 de março de 2009

Na Natureza Selvagem



"Logo após acabar o curso na Universidade de Atlanta, em 1990, Christopher McCandless doou os seus 24 mil dólares que tinha no saldo bancário a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família. Já não era a primeira vez que Chris decidia fazer uma viagem pelos vários estados americanos, sozinho, dependendo da natureza e do que encontrava no caminho. Mas daquela vez foi diferente. A sua raiva quanto à civilização em que vivia, quanto às mentalidades e materialismos da época, foi fundamental para a sua tomada de decisão. A partir daquele dia, nunca mais regressou a casa." wiki

sábado, 7 de março de 2009

Eric e Renan


Nando Reis "Mantra"

Eric e Renan nasceram no último dia 2 às 23h41 e 23h44 respectivamente. Nasceram sob o signo de peixes dos introspectivos, sensíveis e espiritualizados. Nasceram no fim da lua nova e quase lua crescente. Nasceram numa noite quente do fim de verão quando as águas de março vão fechando esta estação.
Durante o parto os médicos deixaram um rádio ligado e no tempo entre o nascimento de um e outro tocava a canção "Mantra" de Nando Reis.
Sejam Bem Vindos!



"Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração… Acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência… Adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral

E quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração… Acordará

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência… Adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Nitai Gauranga Jaya Gaura Hare

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor
Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral

Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal

Haraie nama krsna, yadavaya nama há
Yadavaya madhavaya Krsna vaya nama há
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare

Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare

Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Adeus dor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare

Hare Rama Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

domingo, 1 de março de 2009

Crianças e cachorros



A volta de Rabisco
por Alcino Leite Neto

Tudo aconteceu em 1966, um ano muito agitado, o mesmo em que Mao Tse-tung começou a Revolução Cultural, militares tomaram o poder na Argentina, a guerra no Vietnã se agravou, Lennon disse que os Beatles eram mais populares que Jesus, o Brasil jogou uma das suas piores Copas do Mundo e estreou na TV o primeiro capítulo de "Jornada nas Estrelas".

Para mim, que tinha sete anos, foi apenas o ano em que travei amizade com Rabisco, um boxer mestiço muito sombrio e mal-encarado, de pelo marrom encardido, que tinha sido levado para minha casa a fim de servir de vigia noturno e caçador dos gatos vira-latas que alcovitavam à noite no quintal, com seus gritos dissonantes.

O cão é o melhor amigo da criança -se os adultos não entram no meio da relação. Rabisco e eu éramos unha e carne. Mas, pouco a pouco, talvez por ciúmes, meus pais cismaram que ele andava mais entusiasmado com minhas brincadeiras do que com seu trabalho de vigilante.

Deram de achá-lo manso demais, relapso e preguiçoso, quando não uma ameaça à higiene familiar e à minha saúde, com seus maus modos de penetrar pela casa sem limpar as patas e despejar pelos cantos a baba sanguinolenta (porque, naquele tempo, os cães comiam os restos de carne, esfregavam os focinhos em lavagens e não tinham estas regalias de donzelas que têm os animais de hoje).

Eu mesmo não percebia as ameaças sanitárias e me emporcalhava ao seu lado, de igual para igual. Éramos dois bons selvagens, com a diferença de que eu frequentava o grupo escolar.

Uma bela tarde, Rabisco sumiu de minha casa. Tinha sido levado às escondidas por meu pai, de caminhonete, para uma chácara distante da cidade, um lugar onde ele nunca estivera. Meus berros de tristeza não valeram de nada e ainda me renderam algumas palmadas.

Foram dias terríveis de solidão para mim. Eu trocaria, facilmente, meus pais pelo cão e ainda entregaria, de lambuja, minha caixa de bolas de gude.

Dias depois, à noitinha, quando estávamos jantando (ainda não havia o ruído onipresente da TV), ouvimos umas batidas estranhas na porta da frente. Era Rabisco, que arranhava a pata na madeira, pedindo para entrar. O boxer rebelde tinha fugido da chácara, farejado o seu retorno por mais de dez quilômetros e pela cidade inteira, até reencontrar, sozinho, no escuro, a casa onde vivera.

Eu pulei de alegria sobre o cão, e ele sobre mim, enquanto meus pais debatiam, aturdidos, esse retorno inexplicável. Impressionados com o enigma e com tamanha prova de devoção, eles autorizaram Rabisco a voltar para o quintal, onde ele morou até ser atingido por uns vermes malignos e morrer, em 1971 -este ano chatíssimo, que nem vale a pena lembrar.

Revista da Folha, 1o. de março de 2009, p. 48.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Treinamento da Plena Consciência


Primeiro Treinamento
Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, eu me comprometo a cultivar a solidariedade e a aprender maneiras de proteger a vida das pessoas, animais , plantas e minerais. Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e a não tolerar qualquer ato de matança no mundo, no meu pensamento e no meio modo de vida.

Thich Nhat Hanh

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Pelo fim da rotina ou por um outro cotidiano

Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público que depois de fazer uma determinada ação previamente combinada se dispersam tão rápido quanto se reuniram.(wikipedia)
Geralmente as pessoas não se conhecem e combinam a ação por mensagens de celular ou emails.



O vídeo a seguir foi gravado numa manhã do mês passado na estação central de Liverpool. Para a ação ficar pronta foram necessárias oito semanas de ensaio e contou com o apoio da administração da estação.





Freeze Flash Mob é um tipo bastante conhecido de flash mob onde os participantes, em grande número, ficam "congelados" por determinado tempo num espaço público ou de grande movimento.



Muitos flash mobs são definidos momentos antes da ação.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Poema do Menino Jesus por Maria Bethania



Poema do Menino Jesus (Fernando Pessoa)

Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.

FELIZ NATAL!!!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Islândia e Sigur Ros



A Islândia foi um dos países mais afetados com a recente crise financeira global. Pouco conhecida é um país lembrado por ser uma terra de fogo e gelo. Suas paisagens alternam vastos espaços desérticos e gélidos com áreas esfumaçadas por afloramentos vulcânicos e gêiseres. As paisagens desta ilha do mar do Norte dá uma sensação de isolamento, solidão. É pouco conhecida no que se refere à sua produção artística. Talvez o que há de mais famoso é a cantora Björk. Ex-vocalista do extinto Sugarcubes, ela é famosa por sua música experimental e seu estilo excêntrico. Também da Islândia e menos conhecida é o Sigur Ros. Esta é uma banda que também busca um experimentalismo musical com elementos minimalistas. Abaixo uma de suas mais bonitas canções com paisagens islandesas



"Ara Batur" de Sigur Ros

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Casamento



"O casamento (...) é a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Agora são dois, no mundo, mas o casamento é o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam-se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é a mitologia do casamento. O ritual, que antes representava uma realidade profunda, hoje virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião. Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado! Isso é primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso." Joseph Campbell in Poder do Mito

Extraído do blog www.saindodamatrix.com.br

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Filhos


Vossos filhos não são vossos filhos: são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós, e embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.
(Gibran Kalil Gibran)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A casa como desejo de aprender


Perguntei-me: Por que é que as crianças têm dificuldade em aprender as coisas que lhes são ensinadas nas escolas, seguindo os programas oficiais? Brunno Bettelheim, já velho, deu a resposta: "Na escola, os professores tentavam me ensinar as coisas que eles queriam ensinar, do jeito como eles queriam ensinar, mas que eu não queria aprender". Para aprender há de querer aprender.(...)
As crianças são naturalmente curiosas. Querem aprender. Então, por que não aprendem? A Maria Alice, psicopedagoga por vocação, me contou algo que uma menininha lhe disse: "O mundo é tão interessante. Há tanta coisa que eu gostaria de aprender. Mas não tenho tempo. Tenho muitas lições de casa para fazer..."O que é que as crianças querem aprender? Ou, mais precisamente, o que é que o corpo deseja aprender? Mas, antes dessa pergunta, vem uma outra: "Por que é que o corpo deseja aprender?" Ele deseja aprender para se virar no mundo. Ele quer conhecer coisas que fazem o seu mundo e afetam a sua vida.(...)
Aí eu me perguntei: "Qual é o primeiro entorno da criança?" Preste atenção nessa palavra "entorno". Ela significa aquilo que está "em torno", o espaço que pode nos dar vida ou matar. O primeiro entorno da criança é a sua casa. Pensei então: "Não seria possível fazer um programa que tomasse a casa como seu objeto? Começar a conhecer o mundo a partir da casa! (...)
Amyr Klink "questionado por um repórter sobre a escola ideal para os seus filhos ele respondeu: "A escola que eu desejaria para os meus filhos é uma escola que há nas Ilhas Faroë, lugar onde viveram os vikings. Lá as crianças aprendem tudo o que devem aprender construindo uma casa..."
(...)

Rubem Alves in Folha de São Paulo, 25 de novembro de 2008.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Algumas coisas custam mais do que você imagina


"All I need" - Radiohead

Duas crianças em mundos a parte. Estão conectadas pelos sapatos que uma fabrica e a outra usa.


Duas crianças: uma branca, loira. Mais adiante podemos imaginar que se trata de uma criança norte-americana. Outra criança, asiática. Dadas as condições de vida podemos imaginar que pode ser da China, Tailândia, Vietnã ou outro país do sudeste asiático.

A primeira tomada já apresenta diferenças significativas. Enquanto uma criança branca dorme sozinha em sua cama repleta de objetos pessoais crianças asiáticas dividem um espaço que não se pode chamar de quarto, seria um corredor? Seria a diferença da cultura do individualismo ocidental de um lado e do outro o "formigueiro humano" asiático? As crianças asiáticas acordam aos gritos e chutes de uma mulher.

Uma tela dividida. Lado direito e esquerdo? Ou seria hemisfério ocidental e oriental?

A criança branca levanta-se, troca de roupa, muda de lugar (um banheiro) e escova os dentes. Vemos objetos pessoais.
As crianças asiáticas levantam-se e não trocam de roupa. Algumas dormiram sem camisas (faz calor). Uma criança lava-se numa bacia ao lado do lugar onde dormira.

Criança branca- uma casa: sala com eletroeletrônicos, cozinha e uma mesa onde come o menino vendo televisão. Comida e suco.
Criança asiática- uma casa(?)-fábrica-oficina, bancadas com ferramentas e crianças alinhadas. Linha de produção. Menino cuida das solas de sapatos. Solas e cola.

De um lado cores e luz. De outro, preto e cinza, um lugar sombrio.

Criança branca- uma mulher ao fundo parece cuidar porque provavelmente foi ela quem preparou a comida do menino.
Criança asiática- uma mulher que manda e bate na cabeça do menino. Fala de forma imperativa e bate a mão na bancada. O menino não a fita. Seu olhar é baixo.

Criança branca- sai de casa, caminha pela calçada em direção à escola. Pelo caminhar o menino parece ter seu próprio tempo. Não tem pressa.
Criança asiática- vive o tempo da produção. Ele não tem tempo para si.

Menino asiático- toma outro tapa! Olhar baixo.
Menino branco- outro ambiente: sala de aula. Recebe um toque afetivo da professora.
Um livro na mão. Crianças enfileiradas, só que aprendendo. Ele vai até a lousa, professora comenta sua participação.
Menino asiático- sola, cola.

Menino branco- outro ambiente. Jogos, brincadeiras, lanche.
Meninos asiáticos amontoados- outro ambiente? Comem. Alimentam-se?

Menino branco- desenha dragões: símbolo mitológico asiático. Ele vive e estuda sua cultura e ainda pode estudar a cultura do outro.
Menino asiático- não vive. Sola e cola.

Instrumentos e ferramentas:
Caixa de canetas coloridas- a diversidade da vida, o lúdico, a possibilidade de escolha.
Pincel de passar cola e sola- o trabalho forçado, a monotonia do preto e do cinza. Uma vida sem escolhas.

Menino branco- outro ambiente: em casa joga bola.
Menino asiático- cola sola.

Menino branco- no seu quarto troca de roupa. tira os sapatos.
Menino asiático- suas mãos fabricam sapatos que calçam os pés da criança branca.


"Some things cost more than you realise"
Algumas coisas custam mais do que você imagina.


O globo no quarto. Estas duas crianças vivem no mesmo planeta por mais incrível que isto possa ou não parecer.


Elas não tem culpa nem responsabilidade, mas estão cruelmente conectadas. Há uma interdependência que não deveria existir. Elas representam a divisão entre o mundo que pode desfrutar e aquele que apenas tem a mão-de-obra (barata) a vender. É a globalização do capital que integra lugares que consomem e lugares que produzem. É a Divisão Internacional do Trabalho que tem de um lado países de grande concentração de capital, que dominam a tecnologia e comandam. De outro temos países dependentes de capitais e que se subordinam às transnacionais que buscam nestes países somente facilidades para a reprodução do seu capital.
A criança branca pode ser européia, norte-americana.
A criança asiática pode ser do país que está gravado no seu tênis logo depois do "Made in..."

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

He's cool!!!



Espero que ele tenha também muito gingado para lidar com tantas expectativas! Boa Sorte!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Free Hugs Campaign by Juan Mann



Esta campanha, de iniciativa do australiano Juan Mann, ocorre em mais de 80 países. Há, inclusive, vídeos disponíveis no Youtube da campanha em São Paulo e Goiânia. Se quiser saber mais ou participar da "Campanha do Abraço Grátis" acesse:
http://www.freehugscampaign.org

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

American Beauty


"Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in."
Cena do filme "Beleza Americana", EUA, de 1999. Dirigido por Sam Mendes.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Happy Christmas


U2 faz apresentação acústica de Happy Xmas (War is over)em entrevista de dezembro de 1988.

Tradução

Happy Xmas (War is Over) [Feliz Natal (A guerra acabou)]
(Composição: John Lennon e Yoko Ono)

Então é natal
E o que você tem feito?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então é natal
Espero que tenhas alegria
O proximo e querido
O velho e o Jovem

Um alegre Natal
E um feliz ano novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento

E então é natal
Para o fraco e para o forte
Para o rico e para o pobre
O mundo é tão errado
E então feliz natal
Para o negro e para o branco
Para o amarelo e para o vermelho
Vamos parar com todas as lutas

Um alegra Natal
E um feliz ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento

E então é Natal
E o que você fez?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então feliz Natal
Esperamos que tenhas alegria
O proximo e querido
E velho e o Jovem

Um alegre Natal
E um feliz ano novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento
A guerra acabou , se você quiser
A guerra acabou agora

Feliz Natal.